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sexta-feira, 14 de maio de 2010

AINDA HÁ LUGAR PARA A ÉTICA

Artigo
* Renata Bueno (vereadora - PPS)


Um clima de silenciosa cumplicidade parece emanar do conjunto da classe política acerca dos escândalos que atingem a Assembléia Legislativa do Paraná, naturalmente que deduzidas as honrosas exceções que apenas confirmam a regra. E a reforçar tal postura, uma mal disfarçada articulação corporativa no sentido de delimitar os crimes ao âmbito do corpo administrativo, buscando preservar a todo custo os agentes políticos. É como se não coubesse a nenhum deputado a condução de fato daquela casa, e não fossem alguns deles os beneficiários finais das irregularidades ali cometidas há tanto tempo.
Mas o que mais impressiona em todo esse imbróglio é a relativa apatia e passividade do público em geral. Não me refiro à opinião publicada; a mídia tem sido responsável e insistentemente denunciadora, investigativa e tem se mostrado, com toda justiça, farta e realmente indignada. Mas, e o povo das ruas, os cidadãos!?
Enfastiado com essa arenga, o povo coloca todos os políticos no mesmo ‘balaio de gatos’ e descrê das soluções institucionais, dentre elas os apelos que os mais sérios insistem em fazer, por exemplo, ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e às instâncias judiciais – os quais, diga-se de passagem, parecem aos poucos se movimentar de forma mais espetaculosa do que propriamente efetiva.
Tampouco o povo se anima a intervir ele próprio nesse estado de coisas, seja por meio de ações de protesto, seja por meio do voto. A propósito, existem pesquisas indicando que muitos eleitores deixam de vincular o próprio voto à verificação da conduta do candidato, qualquer que seja ele, partindo do questionável pressuposto de que, em princípio, seriam todos igualmente desonestos.
Assim, quem acredita e defende a prevalência da ética, ou é visto como mais um lobo dissimulado que, uma vez no poder, haverá de se revelar no mínimo condescendente com as piores práticas da vida pública ou, o que é pior, como um romântico e ingênuo a investir contra moinhos de vento.
É certo que a experiência brasileira recente reforça a percepção de que todos não passam de ‘farinha do mesmo saco’: partidos e políticos que se consolidaram com um discurso reconhecidamente ético, ascenderam ao poder e ali se renderam com tal ligeireza ao que existe de mais nefasto na tradição da velha política, tratando de legitimar tudo aquilo que até a véspera condenavam.
Creio, porém, que até o mais cético dos cidadãos anseia por um limite. Comecei a exercer mandato público faz pouco tempo, inspirada na vocação de servir e na sólida crença de que não basta apenas servir eficientemente, mas, sobretudo, é imperioso servir por meios honestos. E nesse quesito não aceito contemporizar, mesmo que em alguns momentos os ecos da nossa voz venham a se diluir no torvelinho de escândalos como esse que ora sacode a nossa Assembléia Legislativa.
Ainda que pareça sonhadora, sigo mais do que nunca confiante no ideário sob o qual aprendi a pensar e agir politicamente, e cuja melhor simbologia está sintetizada na expressão ‘voto limpo’. Muito além da simples retórica, trata-se de um compromisso inarredável com os cidadãos e cidadãs que compartilham as mesmas esperanças da minha geração.

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